Falhas cadastrais e erros na emissão de notas fiscais por pequenos e médios fornecedores podem impedir o aproveitamento de R$ 57,4 bilhões em créditos de IBS e CBS por grandes indústrias e redes varejistas no primeiro ano do novo modelo tributário.
O estudo da Roit, baseado em 295 mil empresas que representam 6,5% do PIB, aponta que a transição para o IVA dual aumentará a dependência entre empresas. Neste artigo, entenda como inconsistências no enquadramento fiscal, no preenchimento da NF-e e no recolhimento de tributos podem bloquear créditos, gerar impactos financeiros e levar a disputas judiciais ou à malha fina.
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Falhas cadastrais e erros na emissão de notas fiscais por pequenos e médios fornecedores podem impedir o aproveitamento de R$ 57,4 bilhões em créditos de IBS e CBS por grandes empresas no primeiro ano do novo modelo tributário.
O risco merece atenção porque indústrias, varejistas e outros negócios com cadeias de fornecimento extensas passarão a depender ainda mais da regularidade fiscal e da precisão das informações registradas por seus parceiros comerciais. Um erro na origem da operação pode bloquear o crédito do comprador, elevar custos, comprometer o fluxo de caixa e exigir esclarecimentos perante o Fisco.
Com a transição para o IVA dual, a conformidade tributária deixará de ser uma responsabilidade restrita ao departamento fiscal interno. A qualidade dos cadastros, o enquadramento correto e o preenchimento adequado dos documentos fiscais de cada fornecedor poderão influenciar diretamente o aproveitamento dos créditos e a segurança das operações.
Estudo revela o impacto das inconsistências na cadeia de fornecedores
O levantamento realizado pela Roit analisou dados de 295 mil empresas, conjunto que corresponde a 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB). A pesquisa identificou que inconsistências cadastrais e erros na emissão de documentos fiscais por pequenos e médios fornecedores podem comprometer o aproveitamento de créditos tributários pelas empresas compradoras.
Entre os problemas observados estão informações desatualizadas, enquadramento fiscal inadequado e preenchimento incorreto de campos obrigatórios das notas fiscais eletrônicas (NF-e). Como o novo modelo tributário condicionará a apropriação dos créditos à regularidade da operação, falhas aparentemente simples na origem poderão afetar toda a cadeia de fornecimento.
Na prática, grandes indústrias e redes varejistas poderão enfrentar bloqueios no reconhecimento de créditos de IBS e CBS, além de custos adicionais para corrigir documentos, revisar operações e comprovar a regularidade das transações. O estudo reforça, portanto, que a qualidade das informações fiscais dos fornecedores será um fator decisivo para reduzir perdas e evitar conflitos com a administração tributária.
Por que o novo modelo de IBS e CBS aumenta a dependência entre empresas
A transição para o modelo de IVA dual começará no próximo ano e avançará até 2027, quando as empresas deverão estar preparadas para lidar com a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços). A mudança substituirá gradualmente a lógica atual de tributação sobre o consumo e exigirá adaptações em sistemas, documentos fiscais e processos internos.
Nesse novo cenário, a apropriação dos créditos não dependerá apenas da existência da compra ou do pagamento realizado. Será necessário comprovar que a operação está regular e que as informações fiscais foram registradas corretamente pelo fornecedor e pelo comprador.
Dados como classificação da operação, enquadramento tributário, identificação das partes e valores destacados na nota fiscal deverão estar consistentes. A precisão desses registros será essencial para que o crédito de CBS e IBS seja reconhecido sem bloqueios ou questionamentos.
Isso amplia a responsabilidade compartilhada entre empresas. Mesmo que o comprador mantenha seus controles internos em ordem, poderá enfrentar dificuldades para aproveitar créditos quando o fornecedor apresentar irregularidades cadastrais, emitir a NF-e com informações incorretas ou deixar de cumprir obrigações relacionadas à operação.
Por esse motivo, a preparação para o IVA dual deve envolver não apenas o departamento fiscal, mas também as áreas de compras, financeiro, tecnologia e gestão de fornecedores. A revisão dos processos e a qualidade das informações serão fundamentais para reduzir riscos durante a transição tributária.
Erros simples na NF-e podem gerar prejuízos financeiros e operacionais
Entre os principais pontos de atenção estão o enquadramento fiscal incorreto, o preenchimento inadequado dos campos obrigatórios da NF-e e a ausência de recolhimento dos tributos relacionados à operação. Embora possam parecer falhas pontuais, esses problemas comprometem a validação do documento fiscal e a regularidade da transação.
No novo modelo, o crédito do comprador dependerá da consistência das informações prestadas pelo fornecedor. Se houver divergências cadastrais, classificação tributária incompatível ou dados incompletos na nota fiscal, o sistema poderá bloquear a apropriação dos créditos de IBS e CBS.
A falta de recolhimento também aumenta o risco para a empresa compradora. Nessa situação, o crédito pode ser questionado pelo Fisco, direcionado para a malha fina ou ficar condicionado à apresentação de documentos e esclarecimentos adicionais.
Além do impacto financeiro, a inconsistência pode provocar retrabalho, atrasos na escrituração e divergências entre as partes. Quando não há consenso sobre a validade da operação ou a responsabilidade pela correção do documento, o problema pode evoluir para disputas administrativas ou judiciais.
Por isso, a conferência das informações fiscais deve ocorrer antes e depois da emissão da NF-e, com atenção ao cadastro dos fornecedores, ao enquadramento tributário e ao cumprimento das obrigações de recolhimento. A prevenção tende a ser menos custosa do que tentar recuperar créditos bloqueados após o fechamento da operação.
Tributos invisíveis reforçam a necessidade de revisar processos fiscais
Os chamados tributos invisíveis são valores que integram o custo das compras, mas não aparecem de forma evidente na nota fiscal ou não são aproveitados como crédito pela empresa adquirente. Segundo o estudo da Roit, as compras realizadas junto a pequenos fornecedores apresentam um resíduo tributário médio de 2,69%, associado principalmente a falhas de enquadramento e inconsistências na origem da operação.
Esse percentual pode representar perdas relevantes para empresas que realizam grande volume de aquisições. Quando o documento fiscal não reflete corretamente a tributação aplicável, o comprador pode deixar de reconhecer créditos de IBS e CBS, absorver custos indevidos e enfrentar dificuldades para comprovar a regularidade da operação.
Para reduzir esse risco, será necessário revisar os processos fiscais de ponta a ponta. Isso inclui manter os cadastros de fornecedores atualizados, conferir regras de enquadramento tributário, adequar os sistemas de emissão e validação de documentos e estabelecer rotinas para identificar divergências antes da escrituração.
A comunicação com parceiros comerciais também deve ser fortalecida. Compradores e fornecedores precisam alinhar informações cadastrais, critérios de emissão da NF-e e responsabilidades em caso de erros ou alterações nas regras. Dessa forma, a gestão tributária deixa de ser apenas uma atividade interna e passa a fazer parte do controle estratégico da cadeia de suprimentos.
Como se preparar para reduzir riscos durante a transição tributária
O período de adaptação ao novo modelo tributário seguirá até 2027, exigindo planejamento gradual para evitar que falhas operacionais comprometam o aproveitamento de créditos de IBS e CBS. As empresas podem começar a revisar seus processos antes da implementação plena das novas regras, identificando pontos vulneráveis na relação com fornecedores e na emissão de documentos fiscais.
Entre as medidas prioritárias estão a conferência periódica dos cadastros de fornecedores, a validação do enquadramento tributário e a revisão das regras utilizadas na emissão e no recebimento de NF-e. Também é importante integrar as áreas fiscal, compras, financeiro, tecnologia e gestão de fornecedores, garantindo que as informações circulem de forma consistente.
A capacitação das equipes deve acompanhar essas mudanças. Profissionais preparados poderão identificar inconsistências com mais rapidez, orientar parceiros comerciais e reduzir retrabalho, atrasos e riscos de questionamentos pelo Fisco. Além disso, testes em sistemas e rotinas de validação podem ajudar a antecipar problemas antes que eles afetem a escrituração.
Nesse processo, o apoio especializado em gestão tributária e conformidade, como o oferecido pela Auditar Contábil, pode contribuir para avaliar procedimentos, organizar controles e orientar decisões com base nas necessidades de cada empresa. A preparação antecipada será essencial para transformar a transição em uma oportunidade de aprimorar a gestão fiscal.
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Fonte desta curadoria
Este artigo é uma curadoria do site Folha de S.Paulo. Para ter acesso à matéria original, acesse Painel S.A.: Reforma Tributária: falhas de fornecedores podem travar R$ 57 bi em créditos do IVA, diz estudo






