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ToggleReforma Tributária e Split Payment: impacto imediato no agronegócio
Aprovação da Reforma Tributária em dezembro de 2023 trouxe mudanças práticas ao produtor rural, com destaque para o Split Payment. Esse mecanismo retém o imposto no ato da transação, conectando bancos e governo em tempo real.
Produtores que faturam acima de R$ 3,6 milhões entrarão na mira prioritária da arrecadação digital, perdendo o controle sobre o fluxo de caixa.
Ao adotar o Split Payment, o imposto é “fatiado” antes de chegar à conta, exigindo maior cuidado na programação financeira e nos investimentos na lavoura.
Entenda, nesta curadoria, o que muda no faturamento, na compensação de créditos e na gestão tributária do agronegócio.
Imposto antecipado: o alerta para o bolso do produtor
Com a implantação do Split Payment, o produtor rural enfrenta uma mudança drástica na gestão do caixa: o imposto não aguarda o fim do mês ou datas pré-estabelecidas, mas é retido imediatamente em cada transação. Esse bloqueio instantâneo faz com que parte do recurso fique suspenso na instituição financeira até o repasse ao fisco, reduzindo de pronto a liquidez disponível para a fazenda.
Para quem trabalha com prazos de recebimento esticados – notas fiscais com vencimentos em 3, 6 ou até 12 meses – a novidade pode gerar apertos financeiros. Dependendo do calendário de vendas, será necessário reforçar reservas de caixa ou renegociar condições com fornecedores para não comprometer os investimentos em insumos, manutenção de maquinário e plantio.
Essa antecipação compulsória do tributo exige revisão no planejamento financeiro: enquanto antes o produtor ajustava desembolsos às projeções de receita, agora cada pagamento ao cliente reduz, na hora, sua margem de manobra. O resultado é a urgência em montar cenários mais conservadores e fortalecer o capital de giro para evitar surpresas no campo.
O que é Split Payment e como funciona na prática
O Split Payment é um modelo de arrecadação tributária que altera o momento de recolhimento do imposto, transferindo-o para o instante em que a transação financeira ocorre. Em vez de apurar os tributos ao final do período fiscal, o sistema faz uma divisão automática do valor pago, separando a parte devida ao fisco antes que o vendedor tenha acesso ao montante total.
Na prática, bancos e governo se conectam em tempo real por meio de ambientes digitais compartilhados. A cada pagamento registrado — seja por transferência eletrônica, PIX ou outro meio autorizado — uma instrução automática bloqueia o percentual correspondente ao imposto, mantendo esses recursos em uma conta específica vinculada ao Fisco.
Esse bloqueio instantâneo dispensa o recolhimento mensal tradicional, já que o sistema retém o tributo em cada parcela que chega ao vendedor. A operação ocorre de forma integrada: o comprovante de pagamento emitido para o comprador informa simultaneamente o montante líquido ao recebedor e o valor retido para a União.
Ao adotar o Split Payment, o controle sobre o imposto muda de data fixa para momento de recebimento, reduzindo riscos de atraso e sonegação, mas exigindo atenção redobrada ao fluxo de caixa. O produtor passa a monitorar cada venda como um evento de arrecadação tributária automática.
Impactos no fluxo de caixa e na gestão financeira
Com a antecipação automática do imposto por meio do Split Payment, o produtor rural perde parte da liquidez no momento exato em que a venda é efetivada. Ao invés de contar com o valor integral para reinvestir em insumos ou manutenção, uma fração é bloqueada pela instituição financeira a cada pagamento registrado. Esse cenário impacta diretamente a capacidade de planejar safras e honrar compromissos com fornecedores.
Por exemplo, um produtor que negocia a venda de milho com pagamento em três parcelas — vencendo em abril, julho e outubro — verá o imposto retido em cada uma dessas datas. Mesmo recebendo apenas um terço do valor bruto, ele já arca com a carga tributária correspondente à parcela total da venda. Esse desencontro entre entrada líquida e custos fixos pode exigir linhas de crédito emergenciais ou renegociação de prazos com fornecedores, sob risco de desequilíbrio no fluxo de caixa e atrasos em investimentos essenciais para a safra seguinte.
Responsabilidade compartilhada: o produtor como fiscal do fornecedor
Com o Split Payment, a obtenção de créditos tributários deixa de depender apenas da emissão da nota fiscal pelo fornecedor e passa a exigir a comprovação de que o tributo foi efetivamente recolhido na etapa anterior. Assim, o produtor rural assume um papel ativo na conferência da regularidade fiscal de seus parceiros comerciais.
Na prática, a nova regra condiciona seu direito ao crédito ao status de pagamento dos impostos pelo fornecedor. Se a retenção automática não for feita ou se houver pendências fiscais, você perderá a possibilidade de abater o tributo na sua apuração, aumentando custos e reduzindo a competitividade.
- Exigir comprovantes de recolhimento (DARF, GPS e guias de retenção) após cada transação;
- Consultar certidões negativas estaduais e federais regularmente;
- Registrar e arquivar protocolos de retenção automática fornecidos pelo banco;
- Estabelecer controles internos para reconciliação periódica entre notas fiscais e comprovantes de pagamento.
Sem uma rotina de verificação contínua, o risco de perder créditos aumenta, impactando diretamente a rentabilidade da fazenda. Ao garantir que cada fornecedor cumpra suas obrigações dentro do novo modelo de arrecadação, você protege seu fluxo de caixa e mantém os benefícios fiscais previstos pela reforma tributária.
Riscos e desafios: devoluções, estornos e informalidade
As devoluções de produtos no agronegócio trazem dúvidas sobre quem deve solicitar a liberação do imposto retido. Se uma venda for cancelada após a retenção automática, ainda não há definição clara se o governo fará o estorno direto ao produtor ou se será necessário compensar o valor em operações futuras.
O processo de estorno pode se tornar burocrático: bancos e sistemas digitais precisarão sincronizar as informações de retorno, liberando o montante retido e registrando o novo fluxo financeiro. Qualquer falha nesse cruzamento de dados pode gerar atrasos, saldos bloqueados ou divergências na escrituração contábil.
A tentação de operar na informalidade para driblar o bloqueio antecipado do imposto é grande, mas transações via Pix ou TED deixam rastros digitais que acionam automaticamente o mecanismo de retenção. Fugir do sistema expõe o produtor a multas, ação fiscal e até penhora de bens em caso de sonegação comprovada.
Para mitigar riscos, vale adotar algumas práticas de controle:
- Documentar protocolos de estorno e comprovantes de devolução;
- Monitorar diariamente o extrato fiscal disponibilizado pelo banco;
- Registrar em planilhas ou sistema gerencial todas as ocorrências de cancelamento;
- Confirmar junto ao fisco a liberação de créditos relativos a vendas estornadas.
Entender esse novo cenário é fundamental para evitar surpresas, garantir a conformidade e preservar a saúde financeira da operação rural.
Como se preparar e contar com apoio contábil especializado
Para enfrentar os desafios do Split Payment, é fundamental revisar processos internos e reforçar a governança financeira. Comece mapeando todo o fluxo de caixa, identificando pontos críticos em que a retenção automática pode impactar investimentos e pagamentos a fornecedores.
Entre as boas práticas, destacam-se:
- Revisar contratos e condições de pagamento, antecipando possíveis ajustes de prazo;
- Atualizar sistemas de gestão para integrar conciliações bancárias e fiscais em tempo real;
- Estabelecer rotinas periódicas de conciliação entre notas fiscais, comprovantes de retenção e extratos;
- Investir em capacitação da equipe financeira para interpretar relatórios de retenção automática;
- Adotar ferramentas digitais que gerem alertas sobre divergências ou falhas no recolhimento.
Além disso, mantenha canais de comunicação abertos com fornecedores para receber comprovantes de recolhimento assim que cada parcela for paga. A agilidade na troca de informações reduz riscos de inconsistências fiscais e fortalece o controle dos créditos tributários.
Contar com profissionais especializados em gestão tributária e legalização empresarial pode simplificar a adoção do novo modelo. Esse suporte oferece orientação na configuração de sistemas, na interpretação de normas e na criação de políticas internas que garantam conformidade e fluidez financeira durante a transição.
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Fonte Desta Curadoria
Este artigo é uma curadoria do site Notícias Agrícolas. Para ter acesso à matéria original, acesse Reforma Tributária: Entenda como o Split Payment vai mudar o faturamento e a compensação de notas fiscais





