Reforma tributária: impactos para 2 milhões de empresas

A reforma tributária do consumo começa a ser implementada em 1º de janeiro de 2027 e deverá alterar a forma como muitas empresas compram, vendem e formam preços. Um levantamento da Omie aponta que cerca de 2 milhões de pequenas e médias empresas estão altamente expostas às novas regras, sendo aproximadamente 1,1 milhão pertencentes ao Simples Nacional.

Essa exposição não significa necessariamente aumento da carga tributária, mas indica a necessidade de antecipar decisões e revisar estratégias. Setor de atuação, regime tributário, margem de lucro, perfil de clientes e fornecedores e possibilidade de geração de créditos de IBS e CBS estão entre os fatores que podem definir os impactos para cada negócio.

Reforma tributária pode exigir mudanças de preço e estratégia para 2 milhões de empresas

A reforma tributária do consumo começará a entrar em vigor em 1º de janeiro de 2027, inaugurando uma fase de adaptação para empresas de diferentes portes e setores. Segundo levantamento da Omie, aproximadamente 2 milhões de pequenas e médias empresas apresentam alto grau de exposição às novas regras, o que pode afetar processos fiscais, formação de preços e relações comerciais.

O nível de exposição, porém, não representa necessariamente aumento da carga tributária. Ele indica que o negócio poderá ser mais impactado pela mudança na sistemática de apuração, pelos créditos de IBS e CBS e pela coexistência temporária de diferentes modelos de cobrança. Por isso, a preparação antecipada será fundamental para avaliar cenários, revisar estratégias e tomar decisões com maior segurança.

Por que os efeitos da reforma serão diferentes para cada negócio

Os efeitos da reforma tributária não serão iguais para todas as empresas. O impacto dependerá do setor de atuação, do regime tributário adotado e da posição que o negócio ocupa na cadeia produtiva. Uma indústria, um comércio e uma empresa de serviços, por exemplo, podem enfrentar mudanças distintas na apuração dos tributos, na formação de preços e no aproveitamento de créditos.

A margem de lucro também será determinante. Negócios com margens reduzidas podem ter maior dificuldade para absorver alterações nos custos ou repassar eventuais impactos aos preços. Da mesma forma, o perfil de clientes e fornecedores influenciará a operação: empresas que vendem para outras pessoas jurídicas poderão ser mais pressionadas pela necessidade de oferecer créditos tributários competitivos, enquanto aquelas voltadas ao consumidor final terão uma dinâmica diferente.

Outro ponto importante é o volume de despesas que poderá gerar créditos de IBS e CBS. Empresas com muitos custos passíveis de creditamento podem se adaptar de maneira diferente daquelas cuja principal despesa é a mão de obra, que tende a limitar esse aproveitamento. Por isso, a avaliação deve considerar a realidade financeira, comercial e operacional de cada negócio, sem aplicar uma solução única para todos.

Empresas do Simples, especialmente as B2B, estão entre as mais vulneráveis

Mais da metade das empresas altamente expostas à reforma tributária pertence ao Simples Nacional: são aproximadamente 1,1 milhão de negócios. Entre elas, cerca de 70% atuam na prestação de serviços para outras empresas, o que aumenta a atenção necessária durante a transição para o novo sistema.

A vulnerabilidade é maior porque, nesses negócios, a mão de obra costuma representar a principal despesa. Como salários e encargos normalmente não geram créditos de IBS e CBS, a empresa pode ter menor capacidade de aproveitamento tributário em comparação com atividades que concentram custos em insumos, mercadorias ou outros itens creditáveis.

Para os prestadores de serviços B2B, essa característica pode influenciar a formação de preços e a competitividade. Os clientes empresariais tendem a considerar os créditos tributários associados às contratações, tornando importante avaliar o modelo de recolhimento, a estrutura de custos e os efeitos da reforma sobre cada operação.

A relação com clientes pode afetar a competitividade no novo sistema

Empresas que vendem para outras pessoas jurídicas tendem a enfrentar uma análise mais complexa durante a transição. Isso ocorre porque seus clientes poderão considerar, além do preço e da qualidade, o volume de créditos de IBS e CBS gerado em cada contratação. Uma empresa que ofereça menor possibilidade de creditamento poderá perder competitividade, mesmo que seus preços aparentem ser mais baixos.

Para negócios voltados principalmente ao consumidor final, esse fator tende a ter menor influência direta, já que pessoas físicas não aproveitam créditos tributários da mesma forma que as empresas. Ainda assim, mudanças na carga efetiva, nos custos e na formação de preços poderão afetar a demanda e a margem de lucro.

Essa diferença torna estratégica a avaliação do modelo de recolhimento, especialmente para empresas do Simples Nacional que atendem ao mercado B2B. A eventual adoção do formato híbrido, com recolhimento separado de IBS e CBS, poderá ampliar a geração de créditos para os clientes, mas também deve ser analisada considerando custos operacionais, perfil da carteira e estrutura financeira. Simulações individualizadas serão essenciais para escolher o caminho mais adequado.

Indústria, serviços e construção concentram os segmentos mais expostos

O levantamento da Omie classificou 26 setores como altamente vulneráveis aos efeitos da reforma tributária. Esses segmentos estão distribuídos entre a indústria, os serviços, a construção civil e a infraestrutura, áreas que poderão enfrentar mudanças relevantes na apuração de tributos, no aproveitamento de créditos e na formação de preços.

Entre as atividades identificadas estão o transporte terrestre, as telecomunicações, a fabricação de móveis, produtos químicos, celulose e papel, máquinas e equipamentos, além de seguros e previdência complementar. Também aparecem atividades relacionadas ao saneamento, como esgoto e serviços afins, bem como negócios ligados à construção civil e à infraestrutura.

A presença nesse grupo não significa que todas as empresas terão o mesmo aumento de custos ou de carga tributária. O impacto dependerá da estrutura de despesas, da possibilidade de gerar créditos de IBS e CBS, do perfil dos clientes e fornecedores e da posição ocupada na cadeia produtiva. Por isso, empresas desses setores devem analisar os efeitos sobre suas operações, contratos e políticas comerciais antes do início da transição.

Setembro de 2026 será um período decisivo para o Simples Nacional

A transição para o novo sistema tributário exigirá atenção especial das empresas optantes pelo Simples Nacional. Em setembro de 2026, esses negócios deverão avaliar se permanecerão no modelo tradicional, com os tributos recolhidos por meio do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS), ou se adotarão o formato híbrido, com o recolhimento separado do IBS e da CBS.

A escolha poderá influenciar a competitividade, especialmente nas empresas que prestam serviços para outras pessoas jurídicas. No modelo híbrido, a possibilidade de geração de créditos tributários para os clientes pode ser um fator relevante, mas a decisão também envolve custos operacionais, estrutura de despesas, margem de lucro, perfil da carteira e relação com fornecedores. Por isso, a definição não deve ser baseada apenas em uma comparação superficial das alíquotas.

Até setembro, será importante simular diferentes cenários e projetar os efeitos sobre preços, fluxo de caixa, contratos e resultados. Cada empresa deverá considerar suas características próprias e acompanhar as regras da transição para escolher o modelo mais adequado ao negócio.

Quase metade das empresas ainda não começou a se preparar

O nível de preparação do mercado ainda é baixo. De acordo com o levantamento da Omie, 48% das empresas não iniciaram análises estruturadas sobre os impactos da reforma tributária. Entre os contadores, 63% ainda não mapearam como as novas regras poderão afetar suas respectivas carteiras de clientes.

Os dados reforçam que muitas empresas ainda não avaliaram mudanças necessárias em preços, contratos, processos fiscais, fluxo de caixa e relacionamento com fornecedores e clientes. Adiar esse diagnóstico pode dificultar a tomada de decisões, especialmente durante o período de coexistência entre o sistema atual e o novo modelo de tributação.

O planejamento deve começar antes da cobrança dos novos tributos, prevista para 2027. Mesmo sem a definição de todos os parâmetros, já é possível identificar a estrutura de custos, analisar a possibilidade de apropriação de créditos de IBS e CBS e simular diferentes cenários para o negócio.

Para as empresas do Simples Nacional, essa antecipação será ainda mais importante diante da necessidade de avaliar, em setembro de 2026, a permanência no modelo tradicional ou a adoção do formato híbrido. Quanto mais cedo forem identificados os riscos e as oportunidades, maior será a capacidade de ajustar a estratégia com segurança.

Planejamento contábil pode ajudar sua empresa a atravessar a transição

Durante a transição, revisar processos internos, políticas de preços, contratos e relações com fornecedores e clientes será essencial. Também será necessário acompanhar os cenários tributários, avaliar a possibilidade de apropriação de créditos de IBS e CBS e projetar os efeitos das mudanças sobre o fluxo de caixa e a margem de lucro.

Esse diagnóstico deve ser atualizado conforme forem divulgadas novas regras e definições operacionais. A organização antecipada de documentos, cadastros, sistemas e obrigações fiscais poderá reduzir riscos de inconsistências e facilitar a adaptação ao período de coexistência entre os modelos tributários.

A Auditar Contábil pode apoiar sua empresa nesse processo com gestão tributária, acompanhamento da conformidade fiscal e suporte à legalização e ao cumprimento das obrigações empresariais. Com uma análise personalizada, torna-se mais seguro identificar impactos, comparar alternativas e planejar decisões de acordo com a realidade do negócio.

Acompanhe o blog da Auditar Contábil para conferir diariamente novas notícias e análises sobre a reforma tributária e seus efeitos para empresas de diferentes setores.

Fonte desta curadoria

Este artigo é uma curadoria do site DComercio. Para ter acesso à matéria original, acesse Reforma tributária será crítica para 2 milhões de empresas. Metade é do Simples

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